Um ano de Saudade

No último dia 29 de Outubro, antes de ontem, este blog completou um ano de vida; confesso que nem eu mesmo acreditei que pudesse durar tanto. Na verdade, acho que durou porque surgiu num momento difícil, pra registrar uma emoção muito forte e numa ocasião que me marcou profundamente.

E é sempre é assim, pelo menos comigo; tudo que surge da dor, acaba perdurando por muito tempo, seja pela própria natureza ou intensidade com que a dor me abateu, ou mesmo pelo aprendizado e lições que deixou.

Enfim, este blog que começou no dia 29 de outubro de 2008, completou um ano na última quinta feira, precedendo por horas o último dia em que estive no ar; o dia em que me despedi da rádio por motivos descritos no link que postarei lá embaixo, e que então encarei um outro projeto: Cursar duas Pós-Graduações ao mesmo tempo, numa tentativa evidente e desesperada de remediar a crise de” abstinência” que se abateu sobre mim.

Assim, feliz pelo êxito da iniciativa despretensiosa de me expor neste espaço, coisa que venho fazendo desde o último ano, resolvi “celebrar”, ou tentar transmitir um pouco do que senti há exatamente um ano atrás; deixando além do link para a página completa de 2008, a transcrição do texto que encerrou minha noite de despedida em 31 de outubro de 2008.

Obg aos amigos bloggeiros, e às queridas e maravilhosas pessoas que me conquistaram através do rádio, os ouvintes de todo o interior do Estado que me acompanhava via satélite toda noite, e que se incorporaram à minha vida de maneira decisiva, e que sempre estarão guardadas nas lembranças e no coração.

Obg amigos, fiquem com Deus. Amo cada um de vcs.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Hoje

Como fiz ao longo desses últimos 19 meses, hoje me preparei como todos os dias pra vir trabalhar, mas com uma expectativa diferente… Com o coração invadido por uma dor tremenda, por um sentimento de perda e impotência que eu ainda não conhecia; hj foi diferente, olhei as ruas uma a uma enquanto dirigia, cada cruzamento, prédio, paisagem que pude contemplar, como se não os fosse encontrar mais, como que fossem paisagens que em alguns instantes eu tivesse que esquecer, como que não mais me pertencessem; eu que sempre fui afobado, atrasado, que na maioria das vezes saí de casa em cima de hora, correndo; Hoje vim devagar.

Segui a mesma rotina, de dormir, comer, tomar banho e procurar a roupa mais cômoda pra vir a rádio, preparar meu lanche, e arrumar minha bolsa…mas hoje uma explosão de imagens sequenciadas quase que como um filme acelerado, começou a ser repetido de forma incessante e tão rápida que tornou-se lenta, assustadora.

E Hoje, como sempre, antes de sair de casa agradeci à Deus pela oportunidade de vir trabalhar no que amo e voltar pra casa em segurança; mas hj também pedi forças pra me conformar com a perda, pra conseguir encerrar esta historia, pra não chorar tanto quanto ontem, pra suportar a dor que me sufoca agora enquanto estou no ar, e não consigo parar de chorar enquanto escrevo essa mensagem. Meu Deus.

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Chardonay

Não sou muito de dar explicações, tampouco especular sobre o futuro, ou de me arrepender sobre o que deixei de fazer; só sei que via de regra não me exponho como os demais, ou talvez não me exponha como devesse…Mas o fato é que minha disposição para tal é privilégio de poucos, e quando não me sinto “recompensado” pelo gesto, simplesmente o apago da memória; melhor que simplesmente lamentá-lo não?
O fato é que considero a amizade como algo que se conquista paulatinamente, pacientemente; como uma relação que literalmente se constrói. Dias atrás, perdi a grande chance, ou uma grande oportunidade de me afirmar como canalha, de referendar o entendimento de que todo homem é aproveitador, dissimulado, oportunista, mau caráter. Perdi e não me arrependo.

Não sou exemplo pra muita coisa, mas não sou o cafajeste que num passado recente insinuaram que fosse; prefiro mesmo é alimentar o entendimento de que sou legal demais, gente boa, comedido, reservado, amigo ao extremo, do que aroveitar-me da fragilidade e da carência alheias, para insinuar-me como salvador da pátria, solução para os problemas alheios; tudo em nome de uma noite legal, uma relação efêmera. Pasmem; isso não faz meu estilo.

Problemas? Basta os que vivi e pacientemente atravesso. Adeus ilusão dourada, seja feliz em solo árido.

Foi

Engraçado como a vida da gente é cíclica né… E mais ainda como insisitimos nos erros, reconsideramos possibilidades, e negligenciamos o óbvio… Só queria dizer que foi bom enquanto durou, e que certamente não se repetirá, pois resolvi quebrar o círculo vicioso.

Sorte com seus amores ridículos, lugares sujos, vida pobre, amigos vazios, sorrisos artificiais; quero distância de suas verdades, seus saberes, seus olhos, seus cheiros e palavras.

Adeus, tranque-se no seu mundinho medíocre, cerque-se de seus vassalos, deleite-se na sua própria ignorância…

Minha vida continua.

Adeus.

Pra vc… E de coração

Mais uma vez surpreendido pela capacidade humana de negligenciar a amizade e o carinho que lhe dispensam… Impressionante e ao mesmo tempo normal nos dias de hoje, a forma como as pessoas tem estabelecido suas relações; sejam de amizade, negócios, amor…

Não costumo manifestar meus sentimentos e meu carinho publicamente sabe…E considero isso um grande defeito! Mas admito que sei valorizar e enxergar nos gestos “pequenos”, nas palavras amáveis, e nas gentilezas dos que me cercam, a possibilidade de construir uma relação duradoura; e havia enxergado isso dias atrás, ou pelo menos achei que tivesse..

Pois bem, achei errado e confesso que nos últimos dias me decepcionei feio… Talvez por excesso de otimismo é verdade, mas… Sei não… Aliás, quem souber que me diga… Será que sou muito duro? Cobro demais? Espero demais das pessoas? Quero que me liguem, me digam, me retornem, me sigam? Que gostem de mim??? Será que é isso??? Será que é, e será que tem quer assim???

O fato é que uma das poucas certezas que eu achei que tivesse, caiu por terra nos últimos dias, nas últimas horas… Até alguns dias, eu jurava pra mim mesmo que um sorriso encantador e um olhar marcante, pudessem denunciar a existência de um coração puro, e de uma alma despida de futilidades… Me enganei.

Melhor ter descoberto agora; em tempo , e na hora certa pra dizer Adeus.

Amizade

Sempre me considerei antipático, mas na verdade, depois de algum tempo descobri que minha antipatia tinha um “algo mais”; que ela encerrava um pouco de timidez, associada à necessidade de estabelecer uma linha defensiva, um espaço só meu, destinado à preservação de um espécime raro: Eu mesmo.

AInda assim, meu silêncio e minha antipatia não ajudaram muito… Não consegui me preservar o suficiente, e hoje pago o preço das concessões erradas que fiz; me recupero das sequelas deixadas pela traição e pelo oportunismo de pessoas que se intitularam confiáveis e traspassaram a barreira da minha soberba; mas agora acabou. O que farei ou as consequências disso? Ainda não sei.

Amizade é coisa muito boa, óbvio… Mas nos últimos tempos descobri que é sobretudo algo raro, quase impossível de se estabelecer nos dias de hoje, e o pior, descobri da pior forma.

Tenho bons, poucos, e queridos amigos; por isso peço a Deus que lhes conserve sempre muito próximos de mim; embora muitas vezes eu não mereça tanto carinho e atenção.

Sobre ventos "ásperos"

Falei num outro post, a long time ago, sobre a fragilidade de alguns relacionamentos que se sustentam, ou mesmo sobrevivem, em nome de algo que ainda não consegui definir.

Talvez um misto de carência, solidão, medo, necessidade… Sei lá! Mas enfim, de algum sentimento fortuito que via de regra se esvai no meio de algum relação que se estabeleceu, justamente quando o outro lado, agora apaixonado(a), começa a fazer planos, conjecturar sobre futuro, ainda que próximo; e ingenuamente até começa a acreditar que algo de muito bom está acontecendo. Ledo engano…

Nada contra relacionamentos esporádicos, despretensiosos, por vezes “ingênuos”; mas tudo e todos os esforços em favor da transparência, da sinceridade.

Não precisamos viver encarcerados, sem lançar-nos à vida ou mesmo às relações fugazes; mas devemos no mínimo ser honestos, transparentes; principalmente com o outro(a).